Vicunha avalia implantar reúso de água em outras duas fábricas do nordeste

Atualmente, 75% da água consumida pela unidade I, que produz índigo, provêm do processo de reciclagem implantado há quase uma década

Na semana passada, a Vicunha recolheu amostras dos efluentes industriais gerados pelas fábricas de Pacajus, no Ceará, e de Natal, no Rio Grande do Norte, como parte do estudo de viabilidade de reúso de água nessas unidades. As avaliações tiveram início há cerca de dez meses, estimuladas pelos bons resultados obtidos no sistema de reciclagem que envolve a Unidade I, de índigo, e a Unidade V, de malha, ambas localizadas no distrito de Maracanaú, no Ceará.

 

Estação de tratamento de água

 

Atualmente, apenas 25% da água consumida pela linha de produção da fábrica I provêm da concessionária local. Os outros 75% são abastecidos por uma rede própria com recursos extraídos a partir dos efluentes industriais da unidade V. Implantado em novembro de 2001, quando a questão do reúso de água para fins industriais apenas engatinhava no Brasil, o sistema da Vicunha tornou-se referência, observa Macilon Siebra, coordenador do projeto.

 

O investimento na época somou R$ 5 milhões e envolveu a construção de três redes privadas de abastecimento. Duas delas ligam as redes unidades I e V, distantes três quilômetros uma da outra. Siebra explica que 95% da água de reúso obtida com o tratamento são consumidos pela linha de produção da fábrica de índigo. Os 5% restantes são destinados a irrigação e abastecimento dos banheiros da unidade. A terceira rede funciona como reserva para eventual abastecimento da Unidade V.

 

Pelas características do processo produtivo de malhas, essa água de reúso não pode voltar para a produção na Unidade V. Mas a linha de índigo permite o uso da água reciclada, explica o coordenador. De acordo com ele, apenas no primeiro semestre de 2009, o sistema permitiu redução de 62% no consumo de água, proporcionando economia de R$ 810 mil no período com a conta de água.

 

Lagoa de tratamento de aeração do sistema biológico

 

O tratamento dos 75 mil metros cúbicos de efluente industrial produzidos pela Unidade V a cada mês começa na própria planta para remoção dos materiais sólidos. A parte líquida passa em seguida por caixas de areia, depois para o tanque de homogeneização e submetida a outros processos (ajuste de pH, filtragem e resfriamento). Esse material segue pelas redes de abastecimento até a unidade I, onde passa por sistemas de tratamento do tipo biológico e fisico-químico até que o efluente atinja as características de água industrial e esteja pronto para o uso.

 

A empresa informa que, com o programa de reúso, apenas uma fração do efluente da Unidade V, depois de misturada com o efluente da Unidade I, é descartada na rede pública. Segundo Siebra, outra meta em estudo é tratar os efluentes industriais da Unidade I com propósito de reúso. 

  

 

 


Caldeiras movidas a
cascas de castanha

 

No Ceará, o programa de gestão ambiental da Vicunha envolve o combustível utilizado para aquecimento das caldeiras das três fábricas da companhia no estado. Há pouco mais de uma década, os modelos movidos a gás natural foram adaptados e depois substituídos por caldeiras que queimam cascas de castanha caju. São 3 mil toneladas por mês que abastecem quatro caldeiras – duas na Unidade I, uma na Unidade II e outra na Unidade V.

 

Cada uma das fábricas conta também com uma caldeira para gás natural, usada apenas em períodos de manutenção ou em eventual situação de emergência, conta Siebra. As cascas de castanha são fornecidas por grandes indústrias processadoras de castanha de caju do estado.

 

 

 

fotos: divulgação