Novas técnicas para descarte do lodo

Oito lavanderias catarinenses se unem para pesquisar uso do resíduo sólido como fertilizante


No final da semana passada, a Ampecri (Associação das Micro e Pequenas Empresas de Criciúma e Região) recebeu laudo indicando a presença de fertilizante na composição do lodo que sobra dos processos industriais de oito lavanderias da região de Criciúma. A análise encomendada pelo grupo foi feita por técnicos da Unesc (Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina). O próximo passo é verificar a possibilidade de usar o resíduo como fertilizante para recuperar áreas degradadas ou mesmo para lavoura.

 

 

 

 

Segundo André Roldão, secretário executivo da Ampecri e coordenador do grupo de lavanderias de jeans, o engenheiro agrônomo de uma carbonífera (companhia dedicada à exploração de carvão) da região vai analisar o material de forma a verificar se a concentração de material orgânico é suficiente para auxiliar no crescimento de vegetação em áreas de extração.

 

Antes de encaminhar formalmente o projeto de descarte do lodo no solo para os órgãos de controle ambiental, o grupo da Ampecri vai encomendar uma nova análise que identifique quais são os contaminantes contidos no lodo, em que quantidades de concentração, qual seria o melhor processo para torná-los inertes, quanto custaria esse processo e que empresa prestaria o serviço. “Mas nada pode sair mais caro para as lavanderias do que já é gasto atualmente”, observa Roldão.

 

Paralelamente, serão identificados os produtos químicos empregados no processo que são responsáveis pela contaminação registrada. O mesmo procedimento deverá ser realizado com os fornecedores do tecido até rastrear toda a cadeia. “Se a gente conseguir identificar quais os produtos que contaminam o resíduo, pode avaliar o custo-beneficio de substituir por produtos ecologicamente mais adequados. Sem contaminantes, o lodo já sairia inerte, queimando uma etapa do processo”, explica Roldão.

 

Se a iniciativa der certo, de saída as lavanderias eliminariam o custo do transporte do resíduo sólido (cerca de R$ 120,00 por tonelada) e do armazenamento em aterro controlado, uma vez que o lodo é resíduo considerado classe II de toxicidade e deve seguir normas legais para descarte e depósito. Os cuidados são necessários para evitar desses resíduos sólidos contaminados entrarem em contato afetando o solo, os lençóis freáticos e os corpos d’água próximos. Participam do grupo: Acqua, Global, Gude, Loyalty, Prisma, Rainha, São Luiz, Sidan.

 

Passivo ambiental

 

O grupo de lavanderias de jeans da Ampecri reúne oito das cerca de 25 empresas instaladas na microrregião que abrange 12 municípios. E discute a questão há quatro meses, conta o secretário executivo da entidade. Ele não sabe dizer, entretanto, a quantidade de lodo produzida. Mas as empresas enxergam nesse projeto a possibilidade de transformar em renda o que antes era passivo ambiental.

 

Para isso, o projeto prevê o rateio das despesas com o tratamento do lodo. A Ampecri se reúne com pesquisadores da Unesc em meados de outubro para discutir a viabilidade de contratar uma pesquisa que estude todas as destinações possíveis e adequadas do ponto de vista ambiental para o lodo gerado pelas lavanderias de jeans.”Para isso, porém, dependemos de patrocínio”, observa Roldão.

 

Outra iniciativa é usar o lodo como componente na fabricação de tijolos. Os testes de resistência e lixiviação (processo que constata se em contato com água, da chuva por exemplo, o tijolo não libera os contaminantes do lodo para o meio ambiente) estão em curso através da Abadeus, uma associação beneficiente que desenvolveu um programa para profissionalização de população de baixa renda da região de Criciúma, por meio da produção e venda de tijolos com tecnologia alternativa. “Agora, estamos à espera dos resultados desses testes”, acrescenta Roldão.