Nova técnica usa luz para tratar efluentes

Pesquisadoras de universidades de Maringá e Apucarana desenvolvem reator fotocatalítico que permite a lavanderias o reúso de água.

Na atualidade, diante do estreitamento da legislação ambiental e da escassez da água de qualidade, a indústria têxtil, principalmente os setores de lavanderia de jeans e de tinturaria, precisam adotar práticas ambientalmente sustentáveis tanto em seu processo produtivo como no tratamento de seus resíduos. No segmento têxtil, esses dois setores são os que mais consomem água de qualidade, a qual, depois de cumprir sua função no processo é descartada em forma de efluente.

O efluente oriundo das lavanderias e tinturarias se destacam por apresentar alta coloração e produtos químicos com alto risco ao ambiente. Se não tratados devidamente poderão ocosionar danos ambientais incalculáveis. Sendo assim, na tentativa de minimizar as agressões ao ambiente, as indústrias de todo o mundo têm investido em tecnologias para o tratamento de seus resíduos, visando não apenas atender a legislação vigente, como também buscar o crescimento sustentável unindo os aspectos econômicos, sociais e ambientais.

Uma das técnicas de tratamento de efluentes que vem sendo largamente estudadas em todo o mundo é a fotocatálise heterogênea, considerada como um processo oxidativo avançado (POA), baseado na irradiação de um semicondutor, promovendo a geração do radical hidroxil (•OH), um agente com alto poder de oxidação, capaz de degradar os compostos poluentes transformando-os em gás carbônico (CO2), água com sais inorgânicos ou convertê-los em compostos menos poluentes.

Em resumo, o processo consiste em utilizar a radiação emitida por lâmpadas que simulam a radiação emitida pelo sol para ativar o semicondutor (produto químico em forma de pó branco), o qual por meio de uma reação química vai atacar os poluentes presentes na água residual e promover a descontaminação dessa água.

A partir desta técnica, as pesquisadoras Valquíria Ribeiro e Célia Tavares trataram efluentes oriundos da Lavanderia Dinâmica, situada na cidade de Maringá (PR). O efluente coletado no tanque de equalização da empresa foi tratado em um reator fotocatalítico (figura 1 e 2), instalado no laboratório de Preservação, Gestão e Controle Ambiental da Universidade Estadual de Maringá.

O efluente foi inicialmente caracterizado e submetido ao tratamento utilizando como condições ideais 3 g/L de óxido de zinco em pH 8 durante quatro horas. Os resultados apontaram alta eficiência de remoção de cor (figura 3), redução de DBO e DQO (demanda bioquímica/biológica de oxigênio / e demanda química de oxigênio, dois índices empregados para verificar a eficiência do tratamento), de turbidez e de odor.

O efluente já tratado foi submetido ao ajuste de pH e utilizado em ensaios de tingimento nas cores amarelo e azul sobre amostras de tecido plano PT. O processo de tinturaria foi realizado em máquina de tingimento em canecas. Os resultados obtidos foram comparados ao tingimento realizado com água industrial, não apresentando diferença de cor significativa.

Na Galeria de Fotos, a Figura 4 (azul) e a Figura 5 (amarelo) mostram o resultado: as amostras da esquerda foram tintas com água industrial e as da direita com água de reúso.

O efluente tratado também foi reutilizado em processos de lavagens do jeans para desengomagem, clareamento, estonagem e sobretingimento, não sendo observada restrição para o seu uso nesses processos.

Os resultados obtidos foram bem promissores ao mostrar que esta tecnologia pode ser utilizada por lavanderias e tinturarias com o objetivo de reúso do efluente, proporcionando assim, redução no volume de água potável captada em corpos hidrícos para o beneficiamento dos artigos têxteis.

A utilização desta tecnologia na indústria de lavanderia, além de promover, de forma eficiente, o tratamento do efluente, apresenta também o benefício de baixa formação de lodo, visto que é um processo destrutivo de poluentes presentes no meio, e não uma técnica de transferência de fase, como acontece nos processos físicos-químicos ou biológicos tradicionais. Essa baixa formação de lodo reflete em menor custo para destinação final deste resíduo em aterros industriais.

Ainda não se tem estimativas de custos para o processo, visto que ainda é necessário que a indústria mecânica desenvolva reatores em escala industrial, mas, diante da crise da água que as cidades têm enfrentado, as indústria deverão mostrar cada vez mais interesse na utilização destas tecnologias, o que irá impulsionar o desenvolvimento desses reatores.

*V.A.S. Ribeiro1,2, C.R.G. Tavares2
(1) Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Apucarana
(2) Universidade Estadual de Maringá – Maringá

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