Cai ritmo em adotar ações sustentáveis

Relatório diz que a indústria global da moda avançou mais lentamente em 2019, e que está difícil buscar soluções de forma isolada.

Apesar de todo o barulho em torno de ações sustentáveis, a indústria da moda não tem avançado com a adoção de boas práticas especialmente do ponto de vista ambiental na velocidade que vinha mantendo até 2018. O relatório Pulse of the Fashion Industry destaca que as empresas reduziram o ritmo em 2019. Também conclui que dificilmente, mantido esse compasso, terão feito sua parte até 2030 para diminuir as pressões sobre o clima. Esse é o ano que o Acordo de Paris estabeleceu para diminuir a temperatura da terra em 1,5 grau Celsius. Em 2030, a expectativa é a indústria da moda gerar 102 milhões de toneladas de produtos, entre roupas e calçados, exercendo pressão considerável sobre os recursos naturais.

Atingiria, assim, US$ 3,25 trilhões em faturamento, ante o US$ 1,88 trilhão estimado para 2019, informa o documento. Segundo o relatório Pulse of Fashion Industry, as empresas que participam do programa subiram quatro pontos em 2019 em relação ao ano passado. Atingiram 42 pontos, de um total que vai de um a cem. Antes disso, em 2018 e 2017, avançaram seis pontos por ano. Ou seja, as empresas melhoraram o desempenho, só que de maneira mais lenta que a esperada.

É MAIS DIFÍCIL AVANÇAR PARA EMPRESAS MAIORES DE MODA

A melhoria afirma o relatório deveu-se mais aos avanços obtidos pelas marcas que estão nos estágios iniciais da jornada pela sustentabilidade ambiental e social. Mas diminuiu entre as empresas maiores. “Essas precisam descobrir como dimensionar modelos de negócios disruptivos e aproveitar as tecnologias inovadoras”, avalia o relatório, elaborado pelo BCG (Boston Consulting Group) e pela SAC (Sustainable Apparele Coalition). Encontrar soluções de forma isolada fica mais difícil com o passar do tempo, com o impacto das ações e o retorno sobre elas diminuindo.

O documento cita ainda mudança nos hábitos dos consumidores. Em pesquisa realizada em cinco países, revelam que cerca de um terço dos que responderam afirmaram ter trocado de marca preferida por razões relacionadas a práticas sustentáveis. Contudo, sustentabilidade está longe de ser critério decisivo de compra para a maioria dos consumidores. “Portanto, cabe aos líderes de moda impulsionar o impacto em larga escala e influenciar as percepções do consumidor”, conclui o relatório.

“No futuro, a ação coordenada é crucial para superar os desafios da indústria da moda, dada sua natureza global”, conclui o relatório Pulse of the Fashion Industry.