Lavanderia Branca, jeans tratado como obra de arte

Com vocação para criar efeitos inéditos, alguns como marca registrada, a empresa caminha para comemorar 30 anos sem grandes planos de mudança

Prestes a completar 30 anos, a Lavanderia Branca nasceu com o foco no mercado de moda e, desde o início, tem a área de desenvolvimento entre os diferenciais. Começou a desenvolver as lavagens empiricamente. “Amaciante numa mão, sal na outra, e muitas descobertas intuitivas na química do jeans”, conta Paulo Sicolino, sócio da empresa junto com o irmão e a mãe.

O pioneirismo, segundo o executivo, fez com que a Branca se tornasse formadora de opinião na área de beneficiamento. O efeito estonado chamado de Stone Washed foi a primeira marca registrada da lavanderia. Em seguida, a empresa oficializou outros tipos de manchados e delavées. Além da tradicional forma de pesquisa de tendências por meio de viagens e periódicos especializados, a Branca continua adepta às experimentações, com muitos processos sendo feitos sem referências, num sistema de erros e acertos. “A maioria dos clientes pedem para darmos alguma sugestão”, observa o executivo. Ao contrário de outras lavanderias que nem trabalham com mostruário para garantir a exclusividade da produção, a Branca mantém showroom na própria fábrica. Lá, são expostas peças desenvolvidas pela lavanderia e outras trazidas do exterior.

Com uma carteira de cerca de 20 clientes, entre eles Carmim, Iódice, Andriello, Exss e Rock Lilly, a empresa conta com 70 funcionários, sendo 60 no setor de produção. A produção mensal é de 50 mil peças. Sicolino conta que há dez anos a lavanderia chegou a beneficiar 100 mil peças por mês com a mesma estrutura atual. A redução do volume pela metade, que ocorreu de forma gradual ao longo desse período, deu-se em função da evolução da moda. “Antes uma calça passava dois dias nas máquinas, hoje, chega a passar dez. O mercado passou a exigir processos mais elaborados e para mantermos a qualidade foi necessário reduzir o volume produzido”, revela o diretor. Em contrapartida, os novos processos são mais caros pois exigem muito mais trabalhos manuais.

A lavanderia funciona como uma escola. “A pessoa que entra sem saber nada. O treinamento é feito internamente. Alguns funcionários trabalham conosco há anos e a atualização deles é constante”. O treinamento regular dos empregados aliado à manutenção do ritmo de produção e à inovação tecnológica compõem a política que mantém a boa saúde financeira da empresa, que não planeja grandes investimentos a curto prazo, acrescenta Sicolino. Ele recorre a um jargão para explicar: “Não se mexe em time que está ganhando”.

A compra de novos maquinários está condicionada às possibilidades de criação que eles oferecem. “No caso do processo de lixamento, por exemplo, existem máquinas que fazem e em grandes quantidades. Porém, o trabalho humano deixa uma peça diferente da outra; garante a exclusividade”, afirma o executivo que se orgulha em dizer que a empresa oferece  padrão de qualidade, mas não cópias idênticas. “O consumidor de hoje busca isso. Cada peça que sai daqui é uma obra de arte”.