Previsão é indústria do setor crescer até 3%, em 2014.

Novo presidente da Abit, Rafael Cervone avalia que expansão depende de mudanças no rumo da política econômica atual.

Embora o setor têxtil e de confecção tenha encerrado 2013 carregado de perspectivas sombrias, a chegada do ano novo funcionou como uma injeção de ânimo no empresariado da área, ainda que nada tenha mudado significativamente no cenário geral. “O ano de 2014 começou melhor que a expectativa negativa que se tinha na virada de 2013. Claro que é um ano de Copa do Mundo, ano de eleições, um ano curto. Também é um ano que precisa de mudança de rumo, porque o modelo econômico do país se esgotou. Precisamos resolver entraves que arrastam empresas nas partes burocrática e tributária. Uma das metas deveria ser simplificar um pouco a vida das empresas”, avalia o novo presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) para o triênio 2012/2014.

Os números setoriais ainda não estão completamente fechados, mas, a previsão inicial de faturamento em torno de US$ 53 bilhões para o ano se confirma, representando recuo sobre os US$ 56,7 bilhões, de 2012, que por sua vez, já revelara queda sobre os resultados de 2011. Para 2014, a expectativa é crescimento suave, condicionado ao aumento do PIB (Produto Interno Brasileiro). “Se crescer entre 2% e 2,5%, a indústria do setor pode crescer entre 2,5% e 3%”, entende Cervone. O balanço divulgado pela Abit, estima que nessas condições o varejo de vestuário pudesse expandir 3%; a exportação também 3%; e a importação, 10%. A maior dúvida reside sobre a produção física. A previsão cautelosa avalia que possa haver queda de 1%, tanto na área têxtil, quanto na de vestuário; e, se as condições mudarem, possa alcançar crescimento de até 1,5% e 1%, respectivamente.

A despeito de mudanças em marcos legais e econômicos, o presidente da entidade acredita que 2014 será o ano de retomada das exportações brasileiras, em função do câmbio, que desvalorizou o real. Por outro lado, inibiu os investimentos que não deverão ultrapassar os US$ 2 bilhões, este ano, na compra de máquinas e equipamentos. Ele considera que esses desembolsos serão necessários para as empresas obterem melhoria de produtos e inovação na produção. “Se não formos competitivos internamente não seremos competitivos no exterior”, afirmou.

A retomada também ajudaria a equilibrar a balança comercial do setor que fechou, no ano passado, com mais um déficit, diante da importação de US$ 6,756 milhões, frente a US$ 1,26 milhão em exportação (sem contar algodão). Segundo dados da Abit, as importações de vestuário equivalem a US$ 2,37 milhões do total, dos quais 62% (US$ 1,473 milhão) correspondem a produtos chineses. Pela ordem de valor, os produtos mais importados pelo Brasil são: vestuário de tecido plano (algodão e sintético), tecidos de fibras sintéticas, tecidos técnicos, poliéster, fios artificiais e sintéticos. Além da China, as empresas brasileiras compram de Índia, Indonésia, Estados Unidos, Taiwan, Bangladesh, Coréia do Sul, Argentina, Turquia e Vietnã, nessa ordem.

Em contrapartida, o Brasil vende não-tecidos, vestuário, tecido de algodão, tecidos técnicos, nesta ordem, para Argentina (o maior mercado comprador), seguido de Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Venezuela, México, Chile, Colômbia, Bolívia e Holanda. Para melhorar o desempenho da balança comercial, Cervone defende que além de investimento em melhoria de produtividade, que as empresas brasileiras identifiquem nichos rentáveis de atuação no mercado internacional.

Entre os quais ele cita o de têxteis tecnológicos como gerador de oportunidades de negócios em diferentes áreas: forças armadas, indústria aeroespacial, construção civil, agricultura, setor automobilístico. “Em abril, vamos organizar um fórum internacional para debater têxteis do futuro, mercado que tem crescido dois dígitos ao ano, representando em torno de 40% do PIB têxtil da França e da Alemanha”, anuncia Cervone. O evento será realizado em parceria com o Senai-Cetiqt e, por isso mesmo, o mais provável é que seja sediado na cidade do Rio de Janeiro.