Indústria e comércio cortam 150 mil vagas em 2015

Os costumeiros cortes de dezembro só pioraram o quadro do ano para os setores têxtil, de vestuário e atacado, enquanto o varejo repetiu saldo positivo no mês.

Em ano de economia difícil, agravada pelo contexto político conturbado, as empresas brasileiras reduziram em 2015 a força de trabalho nos setores de indústria têxtil e vestuário, também no comércio, de varejo e atacado. Somados, os cortes atingiram 153.162 empregados, tomando por base os dados divulgados na semana passada pelo ministério do Trabalho, a partir das informações de dezembro do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

A indústria foi responsável pelo maior volume de demissões. No acumulado do ano, as empresas do setor fecharam 99.145 postos de trabalhos, dos quais quase 30 mil a menos só em dezembro (o saldo entre admitidos e demitidos ficou negativo em 29.222 postos), mês em que o setor tradicionalmente faz cortes profundos. Ao longo de 2015, a indústria só abriu vagas – e poucas para o mês – em janeiro, com abertura de 3.451 postos. De fevereiro em diante, a redução do quadro de pessoal só se agravou até chegar a dezembro.

Em 2014, o saldo da indústria foi negativo em 19.586 vagas. Antes disso, em 2013 foram abertos 5.715 postos e, em 2012, somou 13.246 demissões, mostram os dados do Caged. Entre os estados, São Paulo, o maior empregador na área, demitiu 31.211 trabalhadores, em 2015, sendo 7.720 deles dispensados em dezembro. A indústria de Minas Gerais foi a segunda que mais demitiu, encerrando 11.735 postos de trabalhos, com menos 3.048 em dezembro.

Como em outubro e novembro, Paraná e Santa Catarina também estão entre os quatro que mais demitiram em dezembro e no ano. No mês, as empresas catarinenses reduziram 6.438 vagas e as paranaenses cortaram 4.113. No ano, as demissões no Paraná totalizaram 11.510 e as de Santa Catarina somaram 10.731.

Emprego no comércio
O varejo foi o único segmento no setor têxtil e de roupas a ter saldo positivo pelo terceiro mês consecutivo, o que costuma ser comum no segundo semestre. Só que o nível de contratação ficou bem abaixo do observado em exercícios anteriores. Em dezembro, as lojas abriram 1.946 vagas, ante 9.258 oferecidas em dezembro de 2014.

Em dezembro, o comércio varejista do Rio de Janeiro foi o que mais contratou, abrindo 2.491 vagas, seguido por Minas Gerais, com mais 1.166 e Santa Catarina atrás, com saldo de 410 novos postos, entre os 16 estados que ampliaram o quadro. Dos 11 que demitiram, o maior corte foi imposto pelas lojas de São Paulo que, juntas, cortaram 1.831 empregos de carteira assinada, revelam os dados do Caged.

No consolidado do ano, porém, o varejo enfrentou um dos piores cenários para o emprego, com a eliminação de 51.158 postos. Em 2014, o corte foi de 218 postos, depois de dois anos em alta. Em 2013, abriu oferta de 9.637 empregos formais e em 2012 a expansão foi de 22.089 novas vagas no varejo.

O comércio atacadista também enxugou o quadro de pessoal. Em dezembro, demitiu 795 empregados, elevando o saldo negativo do ano para 2.859 vagas encerradas. Novamente São Paulo é o estado em que as empresas mais cortaram no segmento, com 325 demissões. Em segundo lugar, ficou o Paraná com 111 dispensados.

Já em 2014, o atacado de tecidos e roupas ficara negativo com o fechamento de 670 vagas. Em 2013, o saldo foi positivo em 842 postos. Antes disso, em 2013, o segmento reduziu a oferta de emprego em 1.108 vagas.

Cenário Brasileiro
O país como um todo perdeu 1,5 milhão de empregos formais, com carteira assinada, sendo 609 mil na indústria de transformação. Foi o pior resultado dos últimos 24 anos, desde 1992 quando a série começou a ser apurada.