Indústria contrata e comércio demite

Mesmo dentro do padrão esperado para janeiro, o nível de contratações foi menor e o corte foi maior do que igual mês de dois anos antes.

Mesmo com saldo positivo de 3.451 contratações, a indústria têxtil e de confecção de vestuário começa o ano com quadro de pessoal menor do que tinha há um ano, por força do saldo negativo de 23.586 vagas encerradas ao longo de 2014, mostram os dados divulgados na semana passada pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Embora o consolidado de 2014 em torno da base total empregada ainda não tenha sido publicado, as projeções indicam que a indústria começa 2015 com menos de 1 milhão de postos de trabalho pela primeira vez há pelo menos quatro anos.

Como é de praxe, em janeiro, o varejo corta o reforço contratado entre novembro e dezembro. O saldo no mês ficou negativo, com corte de 36.603 vagas, revelam os dados do Caged. Deixa, assim, a base de funcionários da categoria menor em quase 0,5% em relação a janeiro de 2014, com 710,1 mil postos. Também o atacado, que costuma reduzir o quadro em janeiro, efetuou o maior corte no mês dos últimos três anos, de acordo com a pesquisa divulgada pelo ministério do Trabalho. O saldo ficou negativo em 374, aumulando 40,3 mil vagas.

No varejo, os cinco estados que mais reduziram o quadro de pessoal foram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Só o varejo paulista e fluminense sustentou quase metade do total de cortes praticados pelo setor em janeiro. Enquanto São Paulo eliminou 9.407 vagas, o Rio cortou 8.176, mostram os dados do Caged. No atacado, os dois estados empatam com a eliminação de 77 postos de trabalho cada um, seguidos por Santa Catarina, Pernambuco e Minas Gerais que, juntos, respondem pelo fechamento de 138 vagas.

Do total de vagas abertas pela indústria têxtil e de vestuário em janeiro, Santa Catarina contribuiu com quase 62%, ocupando 2.118 postos. O Paraná é o segundo maior contratador no mês, abrindo 753 vagas e depois São Paulo, com 498. Com esse mix, as contratações dos três representam 97% do saldo positivo do mês. Na via contrária, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Ceará foram os estados que mais demitiram em janeiro, eliminando juntos 1.044 do total de 1.147 postos negativos entre dez estados.