Emprego no varejo de moda reage

Pela primeira vez em três anos, lojas de roupas e calçados abrem vagas em setembro, enquanto indústria e atacado ainda atuam com saldo negativo

Desde 2015, o varejo de moda brasileiro não abre vagas no mês de setembro, pressionado pelo aperto da economia. Em setembro agora, os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram saldo positivo, ou seja, as lojas de roupas, tecidos e calçados mais contrataram que demitiram no mês. Foram abertas 1.687 vagas com carteira assinada, mostra o recorte setorial do levantamento.

O comércio varejista de moda seguiu, assim, o comportamento dos diferentes setores da economia como um todo, criando juntos 137.336 vagas em setembro, “o melhor resultado para o mês em cinco anos”, de acordo com o ministério do Trabalho, ao divulgar o balanço mensal do nível de emprego no país. Entre as lojas de roupas e calçados, apenas o comércio de dois estados mais demitiram que contrataram: Pará, com corte de 24 vagas, e Alagoas, com menos 13. Os demais estados ampliaram a oferta de emprego, liderados pelo Rio de Janeiro, que abriu 230 postos de trabalho em setembro, seguido por Goiás com a criação de 154 vagas; e pelo Paraná, cujo varejo de moda reforçou o quadro com 166 postos a mais.

COMÉRCIO ATACADISTA EM CONTRAÇÃO

O atacado de roupas, tecidos e calçados que registrou saldo positivo em agosto voltou a retrair em setembro, com a eliminação de dez empregos com carteira assinada. Nesse segmento, apenas em nove estados o nível de emprego subiu, com destaque para Minas Gerais (com geração de mais 31 vagas), Bahia (mais 12) e Espírito Santo (mais 10). Em sentido inverso, os atacadistas de São Paulo foram os que mais eliminaram postos de trabalho em setembro, com corte de 31 vagas. O Rio de Janeiro cortou 12 postos e Santa Catarina ficou com dez a menos.

CORTES DA INDÚSTRIA FORAM MAIS BRANDOS

Pelo sexto mês consecutivo, a indústria de têxteis e confecções de roupas reduziram as contratações de funcionários com carteira assinada. Mas, diferentemente de outros meses, em setembro, o corte foi mais brando. O saldo entre contratações e demissões registrou 59 vagas a menos em setembro em relação ao mês anterior, muito abaixo da massa de demissões assinaladas entre maio e agosto.

Entre os estados que mais extinguiram postos de trabalho em setembro figuram as indústrias do Paraná com menos 254 vagas; de Minas Gerais, menos 212; e Rio Grande do Sul, menos 148. Já entre os que turbinaram o nível de emprego, o Ceará é o que mais abriu vagas no mês, oferecendo 298 postos a mais do que tinha em agosto; Pernambuco, mais 135; e Goiás, mais 104, mostram os dados do Caged.