Dezembro aprofunda cortes do ano

Demissões que são comuns no mês agravaram o enxugamento realizado ao longo de 2014, com a indústria de São Paulo liderando as baixas.

Em 2014, a indústria do setor têxtil e de confecção de roupas promoveu um enxugamento de quadro de pessoal muito acima do que realizou em 2013, quando encerrou o ano com corte próximo a 6 mil vagas. Com as demissões de dezembro, a indústria acumulou praticamente 30 mil postos de trabalho eliminados no ano, atingindo o menor nível de emprego dos últimos anos, como revelam os resultados divulgados na sexta-feira, 23 de janeiro, pelo ministério do Trabalho, com base nas informações fornecidas pelas empresas para o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Embora o comércio tenha contratado de agosto a dezembro, o reforço não foi suficiente para que varejo e atacado terminassem 2014 com indicadores positivos, mas, nada comparado com a retração do emprego na indústria. No balanço do ano, o varejo cortou 218 vagas, mesmo com nível de contratações em dezembro acima da média de anos passados, com saldo no mês de 9,258 mil admitidos, informa a pesquisa do Caged. Já o atacado, que como a indústria demite em dezembro, recuou acima da média, com saldo de 835 desligados no mês, o que fez o segmento registrar redução de 544 vagas sobre o que mantinha no início do ano.

Na indústria, entre os estados, os maiores cortes em dezembro foram registrados por São Paulo (menos 8,328 mil vagas) e Santa Catarina (menos 7,369 mil postos). Em seguida, estão Paraná, com corte de 3,941 mil empregos e Minas Gerais, com redução de 2,869 mil vagas. Com esse enxugamento, que foi menor que o realizado em dezembro de 2013, São Paulo termina 2014 com quadro de pessoal com praticamente 10 mil postos de trabalho eliminados ao longo do ano. Segundo dados do Caged, a redução atingiu 9,478 mil empregos.

O quadro do setor fugiu do perfil positivo traçado pelo ministério para o nível de emprego no Brasil de forma geral. Segundo a Pasta, em 2014, “o aumento foi de quase 1%, com o acréscimo de 396.993 mil novos trabalhadores empregados”. Em dezembro, a indústria, ficou com 171 mil postos a menos, a construção civil, com 132 mil postos a menos e serviços, com 148 mil postos a menos. O maior volume de demissões ocorreu em São Paulo, seguido de Minas Gerais e do Paraná, informa o ministério.