Deixe o sol entrar

A previsão é o Brasil alcançar 3,3 mil megawatts em 2019 gerados por energia solar fotovoltaica, aumento de 50% sobre a capacidade instalada de 2018

Com preços de equipamentos em queda, mais empresas têm olhado para a energia solar fotovoltaica como uma atraente alternativa de fonte renovável, e limpa, de energia. Segundo projeções da ABsolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o Brasil deverá alcançar 3,3 mil megawatts até o final de 2019 gerados por energia solar fotovoltaica e conectados à matriz elétrica nacional. Atingida essa meta, a capacidade fotovoltaica instalada do país terá crescido 44% sobre 2018.

Por conta desse avanço de cerca de mil MW a mais, o Brasil atrairia R$ 5,2 bilhões em novos investimentos privados, em sistemas de todos os portes. “O país tem um potencial solar privilegiado e poderá se tornar uma das principais lideranças em energia solar fotovoltaica no planeta ao longo dos próximos anos”, afirma Ronaldo Koloszuk, presidente do conselho de administração da ABsolar.

O crescimento será puxado pelo que o setor chama de Geração Distribuição. São considerados de pequeno e médio porte os sistemas instalados em residências, comércios, indústrias, produtores rurais, prédios públicos e pequenos terrenos. Formam a chamada micro e minigeração distribuída solar fotovoltaica. Em 2018, esse segmento contou com 501,9 MW de potência acumulada, conforme a associação do setor. Para 2019, a entidade prevê mais que dobrar a potência, totalizando 1.130,4 MW até o final do período. Com esse crescimento, a participação do segmento no mercado solar fotovoltaico brasileiro subirá de 21,9% até 2018 para 34,2% até o final de 2019, estima a entidade.

A Absolar representa empresas e profissionais do setor fotovoltaico com atuação no Brasil, tanto nas áreas de geração distribuída quanto de geração centralizada, composta por usinas de grande porte de energia solar.

O BOOM DO MERCADO NACIONAL VEIO COM A COMPENSAÇÃO

O boom da energia solar no Brasil foi impulsionado pela publicação no final de 2012 de norma da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que regulamentava as formas de o consumidor poder fazer a compensação junto às concessionárias de cada estado, explica Lucas França, diretor da Aton, integradora com 32 projetos em Pernambuco, entre os quais dois na área têxtil.

Em 2015, a regulamentação foi atualizada, promovendo avanços como a redução da burocracia e a possibilidade de pessoas e empresas se juntarem para produzir a própria energia elétrica, que será utilizada para reduzir a conta de todos os que participam do projeto, como um condomínio ou um centro comercial, por exemplo.

Dependendo do dimensionamento, um projeto de energia solar fotovoltaico pode ser suficiente para abastecer todo o consumo de energia elétrica de uma empresa. Não dá, porém, para se desligar completamente do sistema tradicional. Neste caso, a conta fica restrita à taxa básica cobrada pela companhia de luz e força, que pode variar de R$ 60 a R$90 para endereços corporativos.

Alguns sistemas fotovoltaicos podem gerar excedente de energia elétrica, que é injetado à rede elétrica pública gerando créditos, a tal da compensação. A versão de 2015 introduziu outra modalidade de compensação: o autoconsumo remoto. Serve para locais onde não haja espaço suficiente para instalar unidades geradoras ou que a incidência solar seja pequena. Essa modalidade de consumo remoto permite que a empresa que tenha um terreno em lugar ensolarado monte ali um sistema fotovoltaico que será usado para abater os créditos de outro local, como o de um escritório ou de uma fábrica.

AVANÇOS NA INDÚSTRIA TÊXTIL

Embora a energia fotovoltaica possa ser mais atraente para instalações menores (pode não compensar para grandes usuários ou consumidores livres pelo porte do investimento exigido e pelo modelo diferenciado de cálculo das tarifas cobradas), o sistema tem avançado por diferentes áreas. Na têxtil, mais empresas têm avaliado. Nessa nova série de reportagens especiais o GBLjeans aborda alguns cases, inclusive na indústria do jeans.

As novidades devem se suceder a partir deste ano. O setor conta com um projeto em andamento, e ainda mantido em sigilo, de um fabricante de denim decidido a tocar partes industriais a partir do uso da luz do sol, que se bem-sucedido animará outras empresas a trilhar caminho semelhante.

O projeto do Mega Moda Park, do mesmo grupo do Mega Moda, prevê desde sua concepção a construção de telhado fotovoltaico. A primeira etapa do empreendimento de Goiância liberada em novembro passado não contemplou a instalação de energia solar. “Deve ser entregue junto com a última ou penúltima etapa”, afirmou a holding sobre o telhado recoberto com placas de energia fotovoltaica.

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